A sustentabilidade deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade em toda a cadeia produtiva da indústria do concreto. Nos últimos anos, fabricantes de cimento, produtores de concreto e empresas de tecnologia vêm investindo em soluções capazes de reduzir a emissão de gases de efeito estufa sem comprometer a qualidade dos produtos.
Entre essas iniciativas, destaca-se o chamado cimento verde, também conhecido como cimento de baixo carbono, uma alternativa que busca diminuir significativamente as emissões de CO₂ durante sua fabricação.
Neste artigo, você entenderá o que é o cimento verde, quais tecnologias estão sendo desenvolvidas e como outras soluções sustentáveis também contribuem para tornar a indústria do concreto mais eficiente e ambientalmente responsável.
O que é cimento verde
A produção de cimento consome muita energia e libera enormes quantidades de CO2 na atmosfera terrestre. A intenção do cimento verde é amenizar esses efeitos, justamente sendo um material que não gasta tanta energia e emite quantidades menores de CO2. Basicamente, qualquer cimento que atinja este objetivo pode ser chamado de cimento verde.
Na fabricação tradicional, a produção do clínquer é responsável pela maior parte das emissões de CO₂ da indústria cimenteira. Por isso, pesquisadores e fabricantes vêm desenvolvendo novas tecnologias para diminuir a quantidade de clínquer, incorporar materiais cimentícios suplementares e tornar o processo produtivo mais eficiente. O resultado é um cimento que mantém elevado desempenho técnico, mas com menor impacto ambiental.
Vale citar aqui que já existem diversos tipos de cimento verde sendo produzidos e testados em vários lugares do mundo, incluindo dois tipos distintos aqui no Brasil. Nós falaremos um pouco mais sobre isso logo abaixo.
Atualmente, o principal obstáculo da produção do cimento verde é alterar as suas estruturas químicas, para que o processo de produção gaste menos e seja menos prejudicial, sem que características básicas como a resistência do material sejam afetadas.
Diferentes tipos de cimento verde
Nós acabamos de falar que existem diferentes tipos de cimento verde sendo produzidos e testados por todo o planeta. Aproveitamos e trouxemos mais informações sobre alguns dos principais. Veja:
KIT
O KIT, sigla para Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, na Alemanha, está entre os principais centros de pesquisa sobre consumo de energia de toda a Europa. Em um simpósio feito na França em 2017, o instituto anunciou o seu projeto de cimento verde para o mundo, com um método que substitui o clínquer do cimento por hidrosilicatos de cálcio. Com isso, a ideia é reduzir o consumo de energia em até 50%.
De acordo com o próprio instituto, caso todas as fábricas do mundo adotem a produção do produto, meio bilhão de toneladas de CO2 deixaria de ser emitido na atmosfera a cada ano. A previsão, porém, é que isso só venha a acontecer depois de 2050 — visto que ainda há testes a serem realizados.
Escola Politécnica da USP
Temos mais dois exemplos — ambos brasileiros. O primeiro deles está sendo desenvolvido por pesquisadores da Escola Politécnica da USP, utilizando uma tecnologia semelhante à elaborada pelo KIT, mas um pouco menos complexa e, portanto, mais acessível.
Ao invés dos hidrosilicatos de cálcio, aqui o clínquer do cimento está sendo substituído por pó de calcário cru superfino. Estudos mostraram que a redução de CO2 neste processo é de cerca de 50%.
Contudo, estes estudos ainda são bem embrionários, limitando-se ao âmbito acadêmico.
IPT e Proguaru
Por fim, o último exemplo que trouxemos, mais um brasileiro, está sendo desenvolvido por uma parceria entre o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), o Proguaru (Progresso e Desenvolvimento de Guarulhos S/A) e a empresa InterCement.
Aqui, o processo consiste na elaboração de uma solução feita com resíduos de construção e demolição (RCD), através de técnicas de processamento, como caracterização química, métodos específicas de moagem e técnicas expeditas de desidratação. Da mesma maneira que o anterior, a produção aqui emite menos CO2.
Este cimento verde, vale citar, já foi testado em uma situação real: utilizado como agregado em uma brita graduada tratada com cimento (BGTC), ele foi aplicado na pavimentação de uma rua em Guarulhos. Testes posteriores ainda serão feitos para atestar a eficácia do material.
Por que a indústria do concreto busca alternativas mais sustentáveis?
A indústria do concreto está cada vez mais comprometida com práticas sustentáveis. Além das exigências ambientais, há uma crescente preocupação em reduzir o consumo de recursos naturais, diminuir desperdícios e aumentar a durabilidade dos produtos de concreto.
Nesse cenário, diversas tecnologias vêm sendo incorporadas ao processo produtivo, como:
- Cimentos de baixo carbono;
- Aditivos e desmoldantes sustentáveis e de alta performance;
- Reutilização de resíduos industriais.
O desenvolvimento de cimentos de baixo carbono representa um importante avanço, mas outras soluções também desempenham papel fundamental na sustentabilidade da indústria do concreto, como aditivos de alta performance, processos produtivos mais eficientes e desmoldantes biodegradáveis.
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