A indústria do concreto está passando por uma das maiores evoluções de sua história. O desenvolvimento de novos materiais, aliado à busca por maior produtividade, durabilidade e sustentabilidade, tem impulsionado o surgimento de tecnologias capazes de melhorar significativamente o desempenho do concreto.
Hoje, o setor já conta com soluções que reduzem o consumo de cimento, aumentam a resistência mecânica, prolongam a vida útil das estruturas e até permitem que o concreto se autorregenere ou conduza energia elétrica.
Segundo estudos da American Society of Civil Engineers (ASCE), materiais inovadores terão um papel fundamental nas próximas décadas, principalmente diante da necessidade de reduzir impactos ambientais e aumentar a eficiência das construções.
Neste artigo, você conhecerá os principais tipos de concreto considerados tendência para o futuro e entenderá como eles já estão sendo aplicados em diferentes segmentos da indústria.
Por que surgem novos tipos de concreto?
O concreto continua sendo o material mais utilizado no mundo depois da água. Porém, as exigências do mercado mudaram.
Hoje, não basta que um concreto apresente apenas boa resistência. Também é necessário que ele ofereça:
- maior durabilidade;
- menor impacto ambiental;
- redução do consumo de cimento;
- maior produtividade industrial;
- facilidade de aplicação;
- menor necessidade de manutenção;
- melhor acabamento superficial.
Nesse cenário, os aditivos químicos passaram a desempenhar um papel essencial, permitindo desenvolver concretos com características específicas para cada aplicação.
10 tipos de concreto do futuro
1. Concreto projetado
Trata-se de um concreto muito similar ao convencional, com a única diferença sendo a predominância de agregados miúdos. A verdadeira distinção do concreto projetado não está na composição, mas sim no modo de aplicação.
Além de não exigir vibração, seu lançamento é feito com um mangote, isto é, uma tubulação, de alta pressão. É a força do impacto que faz com que ele tenha aderência à superfície que o recebe.
Suas aplicações incluem construção de túneis, estabilização de encostas, reforço estrutural de lajes, vigas e pilares, paredes de contenção, construção de piscinas e reservatórios, construção de barragens, entre outros.
Concreto projetado Trata-se de um concreto muito similar ao convencional, com a única diferença sendo a predominância de agregados miúdos. A verdadeira distinção do concreto projetado não está na composição, mas sim no modo de aplicação.
2. Concreto de alto desempenho (CAD)
Algumas estruturas, como as que ficam muito perto do mar ou em áreas industriais, devem ser feitas com materiais mais resistentes e duráveis, para que as condições adversas deste tipo de ambiente não prejudiquem a construção.
É nesses casos que o concreto de alto desempenho, mais conhecido como CAD, é a melhor alternativa. Além de ser mais durável em ambientes nocivos, sua alta resistência também se destaca; com menos de um mês de idade, é possível obter um concreto com resistência à compressão de cerca de 125 MPa.
3. Concreto autoadensável
Assim como ocorre com o concreto projetado, a composição do concreto autoadensável é a mesma do concreto convencional; com a única diferença sendo as quantidades de cada componente. Essa diferença faz com que ele tenha fluidez e trabalhabilidade maiores, o que permite que ele preencha todo o espaço da fôrma somente com a ação do próprio peso.
Tudo isso faz com que a produção seja mais rápida, o que reduz o tempo de mão de obra e os gastos com energia elétrica. E não é apenas o tempo, mas o custo de mão de obra também é reduzido, pois o fato de dispensar vibração faz com que ele exija até 3 vezes menos operários.
4. Concreto inteligente
Por si só, o nome deste produto já mostra por que ele é um dos tipos de concreto do futuro. Já pensou em utilizar um concreto que tenha a capacidade de autocura? É exatamente este o diferencial do concreto inteligente, que tem sido desenvolvido na Universidade Técnica de Delft, na Holanda.
Nos estudos, os pesquisadores estão usando uma bactéria que se prolifera exclusivamente no concreto, produzindo calcário quando o material entra em contato com a água. Isso evita que ele corroa e o mantém funcional por muito mais tempo.
5. Concreto translúcido
Enquanto os outros tipos de concreto do futuro têm diferenciais referentes a resistência e sustentabilidade, este se destaca pela estética. Com a inserção de fibras ópticas na fôrma antes da concretagem, ele permite a projeção de detalhes que podem ser utilizados em ambientes internos e fachadas.
Apesar da inclusão de um material a mais na fabricação, a resistência do concreto translúcido é a mesma do concreto convencional.
6. Concreto autolimpante
Com uma composição diferenciada, o concreto autolimpante deixa a própria superfície sempre livre de sujeiras. Para a sua produção, adiciona-se dióxido de titânio (TiO2) ou partículas de anatásio (uma das formas minerais do dióxido de titânio) junto a seus agregados.
Ao serem expostas à luz solar, essas substâncias capturam as partículas poluentes do ar que ficam na superfície do concreto. Com isso, ele se limpa sozinho.
7. Concreto permeável
Mais uma vez, temos um tipo de concreto em que as quantidades de material influenciam suas características básicas. Aqui, a proporção de agregados graúdos (brita) é bem maior, enquanto a de agregados finos (areia) é muito menor — em alguns casos, até mesmo inexistente.
Com isso, o material ganha uma grande capacidade de drenagem, tornando-se permeável. Nos Estados Unidos, sua utilização já está sendo testada em rodovias, sempre com o objetivo de reduzir enchentes.
8. Concreto condutivo
Como o próprio nome sugere, o concreto condutivo é capaz de conduzir energia elétrica. Isso acontece pois, no momento da produção, adiciona-se fibras de aço e partículas de carbono — responsáveis pela condução. Posteriormente, uma fonte elétrica é conectada no concreto para que a corrente circule.
Recentemente, uma ponte nos Estados Unidos foi pavimentada com este tipo de concreto para que ele aquecesse e fosse capaz de derreter a neve acumulada na via.
9. Concreto de pós reativos (CPR)
Quando falamos em resistência, o CAD costuma aparecer como exemplo. No entanto, não há material, neste quesito, que se compare ao concreto de pós reativos (CPR), que é uma espécie de concreto de ultra alto desempenho. Em sua composição, não se utiliza agregados graúdos, e os pós reativos são produzidos a partir de pó de quartzo e sílica ativa.
Isso resulta em um material cuja resistência à compressão varia entre 180 MPa e 800 MPa.
10. Concreto subaquático
Encerrando a lista dos tipos de concreto do futuro, temos o concreto subaquático. O uso de agregados e aditivos específicos faz com que o material tenha uma alta resistência em relação a agentes aquáticos.
Pode ser aplicado em plataformas petrolíferas, barragens, tubulações, blocos de fundação de pontes, entre outros.
Além dos concretos apresentados nesta lista, uma das maiores tendências da indústria é o desenvolvimento de concretos com menor emissão de carbono.
A substituição parcial do cimento por materiais cimentícios suplementares, o uso de agregados reciclados e a otimização da dosagem por meio de aditivos químicos têm permitido produzir concretos mais sustentáveis sem comprometer seu desempenho.
Essa combinação reduz o consumo de matérias-primas e diminui significativamente as emissões de CO₂ associadas à produção do cimento.
Os aditivos são protagonistas nessa evolução
Grande parte dessas tecnologias só é possível graças ao desenvolvimento de aditivos cada vez mais eficientes. Eles permitem controlar propriedades como:
- Trabalhabilidade;
- Resistência inicial e final;
- Tempo de pega;
- Redução da água;
- Impermeabilidade;
- Acabamento superficial;
- Durabilidade.
Na indústria do concreto, escolher o aditivo adequado significa produzir peças com maior qualidade, menor desperdício e maior produtividade.
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