Como interpretar os resultados dos corpos de prova de concreto? 

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Os corpos de prova de concreto são uma das principais ferramentas utilizadas no controle tecnológico para avaliar a resistência à compressão e acompanhar o desempenho do concreto ao longo da produção.

Mas interpretar um resultado de ensaio não significa apenas olhar para o valor em MPa e verificar se ele está acima ou abaixo da resistência especificada.

Para entender o que os resultados realmente estão mostrando, é necessário considerar a idade do concreto, a resistência especificada, os resultados individuais, a variação entre os corpos de prova e as condições de moldagem, cura e ensaio.

Essa análise é importante porque a resistência à compressão não depende de uma única variável. Ela é resultado da interação entre os materiais, a dosagem e todo o processo de produção e controle do concreto.

O que é um corpo de prova de concreto?

O corpo de prova é uma amostra de concreto moldada para ser submetida a ensaios que permitem avaliar propriedades específicas do material.

Entre os ensaios mais utilizados está o ensaio de resistência à compressão, realizado em corpos de prova cilíndricos.

De acordo com a ABNT NBR 5739:2018, o ensaio determina a resistência à compressão a partir da força máxima suportada pelo corpo de prova, considerando suas dimensões. O resultado é expresso em megapascals (MPa). A norma também estabelece procedimentos para preparação, posicionamento e carregamento durante o ensaio.

Na prática, o resultado obtido ajuda a responder uma pergunta importante: O concreto produzido está apresentando a resistência à compressão esperada?

Para responder corretamente, porém, é preciso olhar além de um único resultado.

Como interpretar o resultado de resistência à compressão?

Imagine que um corpo de prova tenha apresentado o seguinte resultado: 35 MPa aos 28 dias.

Esse número informa a resistência à compressão obtida naquele ensaio e naquela idade. Mas, para interpretar o resultado, outras perguntas precisam ser feitas:

  • Qual era a resistência especificada para esse concreto?
  • Quais foram os resultados dos demais corpos de prova?
  • Existe grande diferença entre os resultados?
  • Como foi realizada a moldagem e a cura?
  • O corpo de prova apresentou algum tipo de ruptura que mereça investigação?

A própria NBR 5739:2018 estabelece que o relatório do ensaio deve apresentar informações como identificação do corpo de prova, data de moldagem, idade, dimensões, tipo de capeamento, máquina utilizada e resistência à compressão individual.

Isso mostra que o valor em MPa é apenas uma parte da informação necessária para interpretar o ensaio.

Por que a idade do corpo de prova é importante?

A resistência do concreto se desenvolve ao longo do tempo. Por isso, um resultado obtido aos 7 dias não deve ser interpretado da mesma maneira que um resultado obtido aos 28 dias.

A idade do corpo de prova precisa ser considerada porque ela influencia diretamente o significado do resultado. Por exemplo, comparar um resultado de 25 MPa aos 7 dias com outro de 32 MPa aos 28 dias não permite concluir simplesmente que um concreto apresenta resistência inferior ao outro sem considerar a idade de ensaio e os critérios estabelecidos para cada controle.

É necessário considerar em que idade cada concreto foi ensaiado e qual era o objetivo daquele controle. A NBR 5739 estabelece tolerâncias específicas para as idades de ensaio, incluindo 7 e 28 dias. Por isso, ao analisar um relatório, uma das primeiras informações que deve ser verificada é:

Qual foi a idade do corpo de prova no momento do ensaio?

Resultado individual X conjunto de resultados

Ao analisar uma sequência de resultados, diferenças expressivas entre valores merecem investigação. A variabilidade pode indicar alterações no concreto, no processo produtivo ou até nos procedimentos de moldagem, cura, preparação e ensaio dos corpos de prova. 

Embora seja possível calcular uma média para os dois conjuntos, o comportamento é bastante diferente. No segundo caso, existe uma maior dispersão entre os resultados, o que merece atenção.

A NBR 5739:2018 determina que os resultados individuais de resistência à compressão sejam apresentados no relatório e observa que, quando a dispersão entre resultados de um mesmo exemplar for significativa, é recomendável investigar o tipo de ruptura, pois podem existir problemas relacionados à moldagem ou ao acabamento dos corpos de prova.

Por isso, um bom controle tecnológico não deve olhar somente para a média. A uniformidade dos resultados também fornece informações importantes sobre o processo.

O que pode causar variação nos resultados dos corpos de prova?

Quando existe uma diferença significativa entre os resultados, é importante investigar a origem dessa variação.

Ela pode estar relacionada ao próprio concreto, mas também às etapas que envolvem a produção e o ensaio.

Entre os fatores que podem influenciar os resultados estão:

  • Variações na dosagem dos materiais;
  • Características e umidade dos agregados;
  • Relação água/cimento;
  • Homogeneidade da mistura;
  • Sequência e tempo de mistura;
  • Procedimento de moldagem;
  • Adensamento dos corpos de prova;
  • Condições de cura;
  • Condições do equipamento de ensaio.

A NBR 5739:2018, por exemplo, estabelece procedimentos específicos para centralização do corpo de prova, aplicação contínua da carga e velocidade de carregamento durante o ensaio.

Isso reforça um ponto importante: o  resultado do corpo de prova não representa apenas o concreto,  ele também reflete a qualidade das etapas de controle que levaram até o ensaio.

O que o fck tem a ver com o resultado do corpo de prova?

Essa é uma dúvida bastante comum na interpretação dos resultados.

O fck, ou resistência característica à compressão do concreto, é um parâmetro utilizado na especificação do concreto e não deve ser confundido com o resultado individual obtido por um corpo de prova.

Por exemplo, se um concreto possui fck especificado de 30 MPa e um corpo de prova apresenta 34 MPa, isso não significa que o fck daquele concreto passou a ser 34 MPa. Da mesma forma, um único resultado abaixo de 30 MPa não deve ser utilizado isoladamente para concluir que todo o concreto produzido está fora de especificação.

A avaliação da conformidade considera o conjunto de resultados e os critérios estatísticos aplicáveis ao controle do concreto. Por isso, é fundamental diferenciar resistência obtida no ensaio ≠ resistência característica do concreto.

Essa diferença é essencial para uma interpretação tecnicamente correta.

Um resultado baixo significa que o concreto está com problema?

Não necessariamente. Quando um resultado apresenta uma diferença significativa em relação aos demais,é importante investigar as possíveis causas antes de concluir.

É necessário verificar se houve alguma ocorrência durante: dosagem → mistura → amostragem → moldagem → adensamento → cura → preparação → ensaio.

Por exemplo, um problema no adensamento ou no acabamento das extremidades do corpo de prova pode interferir no resultado. Por isso, além da resistência em MPa, o tipo de ruptura também pode ser uma informação relevante. A NBR 5739 apresenta diferentes tipos de ruptura e recomenda atenção especial quando há dispersão significativa entre resultados.

Essa análise ajuda a diferenciar um problema relacionado ao concreto de uma possível ocorrência durante o próprio controle tecnológico.

Como os resultados dos corpos de prova ajudam a melhorar a produção?

O controle dos corpos de prova não deve servir apenas para verificar se determinado concreto atingiu a resistência esperada. Os resultados também podem ser utilizados para identificar tendências e melhorar o processo produtivo.

Quando uma fábrica acompanha os resultados ao longo do tempo, pode identificar, por exemplo, aumento da variabilidade, redução da resistência ou diferenças significativas entre determinados lotes.

A partir dessas informações, é possível investigar fatores como:

  • variação na umidade dos agregados;
  • alterações nos materiais;
  • mudanças na quantidade de água;
  • variações no traço;
  • problemas de dosagem;
  • condições de mistura;
  • aplicação e dosagem de aditivos;
  • procedimentos de produção e controle.

Dessa forma, o corpo de prova deixa de ser apenas uma etapa obrigatória do controle e passa a ser uma fonte de informação para a tomada de decisões na produção de concreto.

Qual é a relação entre aditivo e resistência do concreto?

A resistência à compressão é influenciada por diversos fatores, e a utilização de aditivos deve ser avaliada dentro desse conjunto.

Em determinadas aplicações, um aditivo redutor de água pode permitir a obtenção da trabalhabilidade ou fluidez necessária com menor quantidade de água de amassamento. A relação água/cimento é um dos fatores fundamentais relacionados ao desenvolvimento da resistência do concreto.

Além disso, um concreto com maior coesão e comportamento mais uniforme pode favorecer a regularidade do processo produtivo. É nesse contexto que a escolha e a dosagem do aditivo precisam ser avaliadas tecnicamente.

A Linha Tecnos oferece soluções para diferentes necessidades do concreto, incluindo produtos redutores de água desenvolvidos para contribuir para a redução da água de amassamento, melhorar a coesão e manter a fluidez pelo período necessário.

A Tecnomor desenvolve soluções para a indústria do concreto e oferece suporte técnico para avaliar diferentes necessidades de produção.

Quer entender qual solução pode contribuir para o desempenho e a regularidade do seu concreto? Fale com o nosso time e avalie a melhor alternativa para a sua produção.

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